ESQUEMA DESVIOU 90% DAS SUBVENÇÕES DO ORÇAMENTO

Dos US$150 milhões liberados como subvenções sociais pelo extinto Ministério da Ação Social, nas gestões de Margarida Procópio e Ricardo Fiúza, menos de 10% foram parar nos cofres das entidades assistenciais. O restante, cerca de US$130 milhões, foi desviado para campanhas eleitorais ou simplesmente acabou nos bolsos dos parlamentares e seus aliados. O esquema veio à tona com as denúncias de José Carlos Alves dos Santos, ex-assessor da Comissão de Orçamento, envolvendo o deputado João Alves (PPR-BA), que, segundo a Caixa Econômica Federal (CEF), desde 1988, jogou US$30 milhões em loterias e "ganhou" cerca de US$10 milhões. No esquema de corrupção do Orçamento, as verbas eram geralmente destinadas a prefeituras de estados nordestinos controladas pelos deputados ligados a Alves. No Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal, o dinheiro era repassado a escolas ou entidades assistenciais de fachada. As liberações de verbas eram lançadas sem que se especificasse o destino dos recursos, para dificultar a descoberta da fraude (JB).