Por trás da extração e do comércio ilegais de palmito em Angra dos Reis (RJ) opera uma rede clandestina e violenta, responsável pela devastação das matas do Sul Fluminense e suspeita do assassinato de pelo menos três pessoas. A constatação foi feita na semana passada por 15 policiais militares do Batalhão Florestal e fiscais da prefeitura de Angra durante a Operação Juçara. Em cinco dias, cinco pessoas foram detidas e documentos apreendidos em sete fabriquetas e num galpão clandestino. Nesses locais, o palmito, praticamente extinto na região, era extraído ilegalmente da Mata Atlântica e processado sem as mínimas condições de higiene. Ao lado dos potes com palmito, os policiais descobriram, no último dia 29, um cartão com o número do telefone do "disque-palmito": uma rede de distribuição com sede na zona sul do Rio de Janeiro (capital), que também será investigada. Para fraudar a fiscalização, os palmiteiros "esquentam" os potes com rótulos de firmas que têm permissão do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA) para comercializar o produto-- desde que seguidas normas que garantam a preservação do "Euterpes edulis", nome científico da palmeira juçara, de onde é extraído o palmito. Somente em três das fabriquetas havia potes com palmito extraído de cerca de quatro mil palmeiras, suficiente para atender aos pedidos de uma semana, pelos cálculos de um fiscal. Segundo ele, uma árvore como essa leva oito anos para crescer e dela só se pode extrair um palmito de 30 centímetros. Como quase não é mais encontrada, os palmiteiros fazem incursões nas
76497 unidades de conservação da Mata Atlântica, disse (O Globo).