Independentemente da burocracia que ainda cerca algumas ações para a formação do MERCOSUL por parte dos governos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, as empresas estão se movimentando rumo a janeiro de 1995, quando deverão cair as barreiras alfandegárias para a circulação de mercadorias entre os parceiros comerciais. A consultoria Dun & Bradstreet, com uma carteira de 22 mil clientes em todo o mundo, acredita que cerca de 200 empresas brasileiras já façam transações comerciais no âmbito do MERCOSUL, criando negócios de US$280 milhões mensais entre importação e exportação. Mais do que o trabalho de trazer e levar produtos, as companhias brasileiras, como opção estratégica, estão realizando pesados investimentos, principalmente na Argentina, país mais estável economicamente. Desde a formação de "joint venture", passando por acordos tecnológicos e de distribuição, mais de 300 segmentos serão envolvidos no futuro mercado. "A zona de livre comércio entre os países cresceu 100% nos últimos dois anos", constata Michel Alaby, vice-presidente da Associação de Empresas Brasileiras para Integração no MERCOSUL. De olho nesse potencial, o Grupo Bamerindus pretende se instalar dia oito, em Buenos Aires, para operar a área de seguros. Para isso, associou-se a grupo local. As perspectivas de empresas como Sadia, Hélios, Tigre também são grandes em relação ao MERCOSUL. A parte mais visível dos negócios, no entanto, ainda pertence à indústria automobilística. Brasil e Argentina são praticamente os dois únicos países do mundo com mercado interno de veículos crescente. Isso tem motivado as montadoras a incrementar seus negócios nesses dois países, com a transferência de parte da produção para território argentino, estimulando o intercâmbio. Em apenas dois anos, o Grupo Sadia constatou o quanto poderia ser rentável uma operação no MERCOSUL. As exportações de US$1 milhão, em 1991, saltaram para US$22 milhões, em 1992, época em que montou um escritório de vendas na Argentina. Daí para a montagem de uma "joint venture" com os argentinos da Três Arroyos, proprietários de abatedouro e granja, foi um passo. Em setembro, surgiu a Sadia Trading Tur, com 70% do capital do grupo brasileiro e os 30% restantes dos argentinos, com investimentos de US$2,5 milhões (O ESP).