INTEGRAÇÃO BENEFICIARÁ O SUDESTE BRASILEIRO

Os Estados da Região Sudeste do Brasil estão sendo os maiores beneficiados com a diminuição das tarifas de importações dos papéis ligados ao MERCOSUL. O fato explica-se devido ao grande parque industrial existente em São Paulo, Minas Gerais e no Rio de Janeiro, o que faz com que os demais países do MERCOSUL-- Argentina, Paraguai e Uruguai-- procurem estes estados para suprir suas necessidades em relação a determinados produtos industrializados. Apesar de a expectativa em torno dos Estados do Sul ter sido grande, por causa da proximidade com os países do Cone Sul, o percentual de exportações do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná tem sido bem inferior ao da Região Sudeste do país. A Argentina, por exemplo, tem se tornardo, aos poucos, um bom mercado de exportação. O Rio de Janeiro exporta 10,24% de seu total só para a Argentina, ficando apenas abaixo de São Paulo, que exporta 12,22% para o país. O levantamento foi feito pela economista Lia Valls Pereira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A curto prazo, é claro que os estados industrializados estão tendo
76492 melhor desempenho, principalmente porque os países do Cone Sul têm grande
76492 demanda de automóveis e peças para veículos, o que faz com que São Paulo
76492 e Minas Gerais sejam os dois estados com maior número de exportações para
76492 a Argentina, com respectivamente 53,29% e 15,09% do total do país. O Rio
76492 Grande do Sul vem logo abaixo por causa dos aparelhos e máquinas
76492 elétricos, que correspondem a 21% do total de exportações do estado para
76492 a Argentina. No Sudeste, o Rio de Janeiro ocupa o quarto lugar no ranking
76492 de estados com maior número de exportações. Os metais são responsáveis
76492 por 48% das exportações do Rio para a Argentina e os produtos químicos
76492 ficam com a fatia de 17,4%, explica a pesquisadora da FGV. As vantagens do Tratado de Assunção para os Estados do Sul somente vão ser notados daqui a algum tempo. Lia Valls Pereira ressalta que nem todos os setores econômicos dos Estados da Região Sul vão sair ganhando, mas haverá uma compensação em outras áreas. "Com a redução das alíquotas de importação, as pequenas cidades do Sul que vivem da agropecuária podem ser prejudicadas, pois o mercado interno irá preferir os produtos de outros países se estiverem mais baratos. No entanto, o Sul pode ganhar com a possibilidade de empresas argentinas se instalarem na região através de joint-ventures. Isto, por exemplo, já vem acontecendo", informa a economista. Os pequenos produtores dos Estados do Sul, no entanto, não têm aprovado muito o MERCOSUL. De acordo com experiência da própria economista, os pequenos produtores, principalmente de alho, trigo e arroz-- produtos bastantes cultivados na Argentina-- temem que o novo mercado possa trazer- lhes grandes prejuízos. "Eles não estão olhando de forma macro e, sim, micro. O governo deveria afastar temores, desenvolvendo políticas compensatórias, ou seja, orientando o agricultor que produz trigo, por exemplo, a se empenhar em outro cultivo, com a devida orientação e ajuda do Estado", defende Lia Valls. A Argentina é um dos melhores mercados do Brasil para a exportação por causa da moeda. O cruzeiro está bastante desvalorizado em relação à moeda argentina, o que faz com que as importações do Brasil se tornem baratas. Lia Valls ressalta que se esperava que os grandes beneficiados com o MERCOSUL fossem Uruguai, Paraguai e Argentina. No entanto, o Brasil passou a ser o país que obteve maiores vantagens com o tratado por causa da recessão. "Para Paraguai, Uruguai e Argentina, o mercado brasileiro era fundamental, mas a crise econômica do país faz com que o número de importações fique aquém do esperado", explica a pesquisadora (JC).