As principais empreiteiras do país conseguiram manter projetos de seu interesse no Orçamento do Ministério do Bem-Estar Social de 1993 através de emendas de parlamentares que estão sendo investigados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento. As obras estavam na proposta do ex-ministro Ricardo Fiúza. Foram retiradas pelo atual ministro, Jutahy Magalhães Júnior, mas novamente incluídas no Congresso Nacional. A construção de um sistema de coleta e tratamento de resíduos sólidos em Salvador (BA), por exemplo, orçado na proposta de Fiúza em CR$84,15 milhões, teve seus recursos zerados na proposta de Jutahy. O líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Genebaldo Correia (PMDB-BA), aprovou uma emenda destinando CR$420,75 milhões para a obra. Ao assumir o ministério, Jutahy decidiu suspender o Orçamento preparado por seu antecessor. Preparou um novo texto, desta vez apenas com dotações globais para os programas, sem especificar detalhadamente para quais obras ou municípios iria o dinheiro. Segundo as informações, representantes das empreiteiras Andrade Gutierrez, OAS, Norberto Odebrecht e Mendes Júnior articularam para que o Orçamento de Fiúza fosse mantido. Eles fizeram pedidos diretamente aos ministro Jutahy. Mas o Orçamento acabou indo para o Congresso apenas com dotações globais. Além de Fiúza e Correia, os deputados José Geraldo (PMDB-MG), Cid Carvalho (PMDB-MA) e Messias Góis (PFL-SE) apresentaram as emendas pró-empresas (FSP).