As importações brasileiras da Argentina estão aumentando, depois de aquele país ter atingido um déficit bilateral superior a US$584 milhões, no primeiro semestre de 1992. Durante os primeiros seis meses deste ano, as vendas de produtos argentinos para o mercado brasileiro aumentaram 80%, em relação ao mesmo período do ano passado. A mudança faz parte dos acordos para viabilizar o MERCOSUL, mas também reflete uma recuperação do poder de compra da economia brasileira e o aumento da competitividade de alguns produtos da Argentina. Entre os itens mais expressivos, figuram os automóveis, com crescimento de receita de 126%, o que levantou a suspeita de que o país vizinho estaria exportando para o Brasil veículos da Europa e dos EUA que fariam uma escala apenas para aproveitar as facilidades tarifárias. Entre os que vêem no MERCOSUL o principal motivo dessa mudança no comércio exterior bilateral, a pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Lia Valls Pereira, acredita que o acentuado desnível comercial entre Brasil e Argentina poderá comprometer o processo de integração em curso. Segundo ela, os acordos de desgravação tarifária do MERCOSUL tornam os produtos argentinos mais baratos do que a concorrência internacional. "A tarifa média praticada com a Argentina é 75% menor do que para os países de fora do tratado de integração", explica. Além das vantagens trazidas com o MERCOSUL, a pesquisadora da FGV aponta outros fatores que estão afetando as relações da balança comercial brasileira. "As importações totais do Brasil aumentaram como resultado de um amplo programa de redução tarifária, iniciado ainda no governo Collor de Mello", diz. Na sua opinião, o ligeiro crescimento da economia argentina também contribuiu para aquecer os mercados. Segundo índices oficiais do governo argentino, a taxa de expansão econômica entre o primeiro semestre de 1992 e o mesmo período deste ano, ficou em torno de 2,5%, número considerado modesto pela pesquisadora, mas que demonstra a reação da economia do país vizinho, apesar dos problemas trazidos com o engessamento do câmbio, que favorece as importações (JC).