Segundo as informações, o presidente Itamar Franco, abalado com a crise política, está estudando a possibilidade de falar à Nação, na próxima semana, para deflagrar uma campanha de moralização do Estado. A vários interlocutores ele tem manifestado a preocupação de que as alternativas para o país superar a crise acabam reduzidas a duas: uma seria a antecipação das eleições gerais, e a outra é que o descontrole da situação política acabe dando argumentos aos defensores da intervenção militar. Itamar considera fundamental promover uma faxina em regra no aparelho do Estado. Segundo assessores, o presidente viveu ontem um dos seus dias mais difíceis desde a posse. Ele aguarda, para decidir o momento de falar à Nação, a saída dos ministros Henrique Hargreaves (Casa Civil) e Alexandre Costa (Integração Regional), ambos citados na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso Nacional que investiga corrupção na elaboração do Orçamento Geral da União. Mas os dois insistem em permanecer. Costa conta com o apoio do ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP), e Hargreaves tem a defendê-lo a irmã Ruth, assessora especial do Palácio do Planalto (JB).