O deputado João Alves (PPR-BA) emitiu pelo menos um cheque em favor do economista José Carlos Alves dos Santos, delator do superescândalo do Orçamento Geral da União. Antecipando-se ao pedido de quebra de sigilo bancário, oficializado ontem pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento junto ao Banco Central, uma grande instituição financeira localizou o cheque. Foram encontrados também cheques de João Alves para vários parlamentares. A lista inclui políticos ainda não envolvidos no superescândalo de manipulação de verbas do Orçamento. Os documentos serão remetidos à CPI assim que a instituição financeira receber a ordem do BC. O cheque recebido de João Alves foi descontado por Santos, em Brasília (DF), há cerca de dois anos. O valor, convertido para o dólar da época, é considerado substancial: cerca de US$50 mil. Esta será a primeira prova concreta de uma relação de negócio mantida entre o deputado e o ex- assessor. A International Aviation Leasing Co. foi fundada no início de 1992 para possibilitar ao deputado João Alves enviar ao exterior dólares ganhos no Brasil. O dinheiro era mandado sob a justificativa de arrendamento de avião. A International recebia os dólares na Flórida (EUA) e os transferia para as Ilhas Virgens, onde a empresa também tem uma sede. A International foi constituída pelo escritório de Harvey Rogers, em Miami, na mesma época da compra pelo deputado da Ajax Táxi Aéreo. Em seguida, a International e a Ajax assinaram o contrato de arrendamento do Learjet PT-OOW por US$177 mil por trimestre. O avião era utilizado por João Alves. A` CPI, o deputado informou que devolveu o avião à International. Cópia de um documento assinado entre as duas empresas, no entanto, revalida o contrato de arrendamento até 1994. O avião foi enviado para Porto Rico, no último dia 16, depois das denúncias do escândalo do Orçamento. O ex-assessor do Congresso José Carlos Alves dos Santos foi indiciado ontem pela Polícia Federal, em Brasília (DF), por corrupção passiva no inquérito sobre a máfia do Orçamento, com base nas provas-- dólares e documentos-- encontrados pela PF em sua casa. Além disso, José Carlos é réu confesso. Esse é o sétimo inquérito no qual o economista é indiciado. A pena para o crime de corrupção passiva é de um a oito anos de prisão e multa (FSP) (O Globo).