O presidente da Força Sindical e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Luiz Antônio de Medeiros, entrou ontem na Justiça do Trabalho com pedido de prisão dos diretores da Autolatina ("holding" da Ford e da Volkswagen). Medeiros disse que tomou essa iniciativa diante da negativa da montadora de cumprir o acordo coletivo da categoria firmado em março, e que garantiu um aumento de 50% para 60% no adicional de horas extras e de 25% para 50% no adicional noturno. "A Autolatina deve aos metalúrgicos de São Paulo, no período de abril até hoje, 350 mil horas extras e 61.600 horas de adicional noturno", reclamou o sindicalista. Segundo ele, esse processo é inédito no país, em que os trabalhadores cobram coletivamente dos patrões uma posição, exigindo uma punição pelo não-cumprimento de decisão judicial. De acordo com Medeiros, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) já havia condenado o sindicato representante da montadora (Sinfavea) a pagar os adicionais estabelecidos no acordo de março. A assessoria de imprensa da Autolatina disse que o Sinfavea recorreu da decisão do TRT e que a sentença ainda não foi proferida. Disse ainda que a ação deveria ser movida contra o Sinfavea e não contra os diretores da montadora (GM) (JB).