O baixo nível de ingresso de investimento externo no Brasil deverá continuar pelo menos até a definição do próximo presidente da República. Depois, os investidores vão analisar o comportamento prático do governo para decidir se é bom trazer dinheiro para cá. A avaliação é do vice-presidente executivo da Câmara Americana de Comércio-São Paulo, John Mein, diante da perspectiva da eleição do presidente nacional do PT, Luís Inácio Lula da Silva. "Qualquer dinheiro novo vai ficar na dependência de quem for o novo presidente. Sabemos que o discurso de Lula é menos favorável ao capital estrangeiro, mas seu pessoal nos tem dito que ele quer investimentos de fora. Assim, vamos aguardar como se traduzirá esse discurso na prática das políticas públicas", afirmou. Para Antonio Salgado Peres, coordenador do Grupo de Empresas de Capital Estrangeiro da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o importante não é saber quem será o sucessor de Itamar Franco mas promover a revisão constitucional. "Uma vez definidas as regras do jogo, o novo governo terá que respeitá-las porque estarão na Constituição", disse. O Brasil é o país líder no controle legal à entrada do capital estrangeiro em seu sistema econômico. Na Constituição de 1988 existe muito mais discriminação contra o investimento externo e são criados mais monopólios estatais do que em 27 países das Américas, Ásia e Europa. Esse é o resultado de pesquisa feita durante os últimos quatro meses sob coordenação da Câmara Americana de Comércio em São Paulo. O que é monopólio no Brasil: petróleo, mineração, telecomunicações, eletricidade. Além desses setores, a Constituição estabelece limites ao capital estrangeiro em outros. Armadores nacionais são favorecidos no transporte marítimo; a propriedade rural não pode ser adquirida ou arrendada por estrangeiros. Fora o Brasil, o México é o que apresenta mais restrições constitucionais ao investimento estrangeiro. A maioria dos países que exibe a discriminação na própria Carta Magna está situada na América Latina. O Panamá, por exemplo, proíbe a presença de empresa de capital estrangeiro no varejo. O Equador exige licença especial para instalação de empresas estrangeiras em seu litoral ou ainda junto às fronteiras. E Honduras determina que o investimento estrangeiro só pode complementar, mas nunca substituir o investimento local (JB).