A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento aprovou ontem o pedido de quebra do sigilo das contas bancárias de todos os acusados de manipular o Orçamento Geral da União. São 25 parlamentares, três governadores, dois ministros do atual governo, dois ex-ministros do governo Collor de Mello e seis empreiteiras. Para demonstrar que a medida não significa pré-julgamento dos acusados, os integrantes da CPI decidiram também liberar suas próprias contas. Documentos entregues à CPI pelo economista e ex-assessor do Senado Federal José Carlos Alves dos Santos implicam no escândalo o atual ministro-chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves, além dos ex-ministros do governo Collor, Carlos Chiarelli (Educação), Sócrates da Costa Monteiro (Aeronáutica), Margarida Procópio e Ricardo Fiúza (ambos da Ação Social). Entre os papéis encontram-se pedidos de emendas beneficiando usineiros do Nordeste, empreiteiras e a Clínica Daher, uma das mais luxuosas de Brasília (DF), onde esteve internada a ex-secretária de Paulo César Farias, o PC, Rosinete Melanias. O deputado Ricardo Fiúza (PFL-PE), que tem negado envolvimento com o esquema comandado pelo deputado João Alves (PPR-BA), é autor de vários bilhetes com recomendações sobre a destinação de verbas. Segundo as informações, há indícios da ligação do deputado João Alves com o empresário foragido Paulo César Farias, o PC. Os dois têm relações com o testa-de-ferro Ironildes Teixeira. A Ajax Táxi Aéreo, empresa do filho de Alves, arrendou um avião Learjet 55 da companhia norte-americana International Aviation Leasing. O contrato prevê que a Ajax pagaria US$3,5 milhões para usar o avião por cinco anos. Apesar de o valor ser suficiente para comprar um aparelho novo, o Learjet seria devolvido à International depois desse prazo. A Polícia Federal suspeita que o contrato encubra evasão de divisas. Ironildes disse em Ford Lauderdale (EUA) ser o gerente da International. Afirmou também dirigir a Part Express Inc., empresa-fantasma de PC nos EUA. As duas empresas funcionam na mesma sala. Os políticos e empresas que terão o sigilo bancário e fiscal quebrado pela CPI são os seguintes: Deputados: Carlos Benevides (PMDB-CE), Cid Carvalho (PMDB-MA), Ézio Ferreira (PFL-AM), Fábio Raunheitti (PTB-RJ), Feres Nader (PTB-RJ), Flávio Derzi (PP-MS), Gastone Righi (PTB-SP), Genebaldo Correia (PMDB-BA), Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), João Alves (PPR-BA), José Carlos Vasconcellos (PRN-PE), José Geraldo (PMDB-MG), José Luiz Maia (PPR-PI), Manoel Moreira (PMDB-SP), Messias Góis (PFL-SE), Paes Landim (PFL-PI), Pedro Irujo (PMDB- BA), Roberto Jefferson (PTB-RJ), Ricardo Fiúza (PFL-PE), Sérgio Guerra (PSB-PE) e Uldurico Pinto (PSB-BA). Senadores: Humberto Lucena (PMDB-PB), Mauro Benevides (PMDB-CE), Ronaldo Aragão (PMDB-RO) e Saldanha Derzi (PRN-MS). Governadores: Edison Lobão (PFL-MA), João Alves (PFL-SE) e Joaquim Roriz (PP-DF). Ministros: Henrique Hargreaves (Casa Civil) e Alexandre Costa (Integração Regional). Ex-ministros: Aníbal Teixeira (Planejamento, governo Sarney), Carlos Chiarelli (Educação, governo Collor) e Margarida Procópio (Ação Social, governo Collor). Empreiteiras: Andrade Gutierrez, C.R. Almeida, Norberto Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão e Tratex. Outros: José Carlos Alves dos Santos (ex-assessor do Senado), Ramon Arnus Filho e Walter Annichino (ex-assessores do Ministério da Ação Social). De janeiro até agora, o deputado João Alves ganhou US$1,304 milhão na loteria do Certo e do Errado. A revelação é da Caixa Econômica Federal (CEF), que enviou relatório à CPI sobre loterias. Para conseguir a proeza, Alves gastou em apostas cinco vezes mais do que ganhou. A Receita Federal vasculhará o patrimônio de quem ganhou mais de três vezes na loteria desde 1990 (O ESP) (FSP) (JB).