Políticas de ajuste e desenvolvimento social são o tema da 23a. Reunião do Conselho Diretor do Centro Latino-Americano de Administração para o Desenvolvimento (CLAD), iniciada ontem em Brasília (DF) com a participação de 25 países da América Latina, Caribe, Espanha e Portugal. Depois de uma década de ajustes, com remoção de subsídios, privatização, abertura comercial, enxugamento do Estado, reforma fiscal e tentativas de redução da inflação, os países da região estão preocupados agora com a situação social. Na América Latina, entre 1980 e 1990 houve um aumento de 60 milhões de novos pobres, sendo a maioria da zona urbana. "São filhos do ajuste", sugeriu ontem o economista venezuelano Hector Silva Michelene em sua palestra. Segundo ele, "as principais vias" pelas quais a população em geral recebe os impactos dos ajustes econômicos são a eliminação total ou parcial dos subsídios, sobretudo os que afetam os alimentos e a habitação, a redução do emprego no setor público, devido ao ajuste fiscal e contenção dos gastos do Estado, e a especulação dos preços, porque políticas de ajuste e de liberalização dos mercados criam um clima de especulação em bens, serviços e na área financeira. O caso brasileiro foi apresentado por Antônio Carlos Nantes de Oliveira, adjunto do titular da Secretaria de Administração Federal (SAF). O documento foi preparado pela Fundação Escola Nacional de Administração Pública (Enap) e propõe um pacto entre os diversos setores da sociedade civil e do governo para garantir as bases da estabilização econômica e do crescimento. Mas para o presidente da Enap, Og Dória, um pacto no Brasil torna-se difícil, não por falta de vontade dos sindicatos, empresários e governo, mas por falta de lideranças políticas sólidas. Os países presentes à reunião concordam que os ajustes ajudaram a concentrar a renda e que agora é preciso uma ação governamental para atenuar os problemas sociais (GM).