FABRICANTES DE PAPEL ABANDONAM USO DO CLORO ELEMENTAR

O uso do cloro elementar vem sendo abandonado aos poucos pelos fabricantes brasileiros de papel e celulose. A pressão do mercado externo, principalmente europeu, que exige produtos fabricados com menor impacto ambiental, tem levado diversas empresas do país a modificar seus processos de produção. Os países da Europa compram cerca de um terço da celulose produzida no Brasil. Estimativa do vice-presidente da Associação dos Fabricantes de Papel e Celulose, Celso Foelkel, indicam que hoje cerca de 10% das 5,2 milhões de toneladas de celulose produzidas anualmente no país são totalmente livres de cloro (TCF) ou são livres do cloro elementar (ECF). "Em todo o mundo esse percentual ainda é pequeno, mas está crescendo", diz Foelkel. Diversas empresas brasileiras fazem hoje o pré-branqueamento da celulose com oxigênio, uma técnica que reduz o consumo de cloro elementar em até 50% e que garante uma melhoria de qualidade do efluente da indústria de celulose. Entre essas empresas estão a Bahia Sul, a Inpacel, a Suzano, a Aracruz, a Riocell e a Celpav. Outras, como a Ripasa e a Cenibra, deverão passar a usar o oxigênio em breve. A Companhia Suzano de Papel e Celulose, além de fazer o pré-branqueamento, produz 400 mil toneladas por ano de celulose livre do cloro elementar. Outras empresas utilizam o ECF em parte de suas produções, como a Riocell, a Bahia Sul e a Aracruz. No caso da Aracruz, empresa responsável pela produção anual de um milhão de toneladas de celulose, é usado também o processo totalmente livre de cloro (TCF). Cerca de 30% da celulose fabricada pela empresa dispensa o uso do cloro elementar. No caso do TCF, as fábricas brasileiras usam como branqueador o peróxido de hidrogênio ou água oxigenada. O mercado brasileiro de peróxido de hidrogênio com 100% de concentração, gira em torno, no momento, de 45 mil toneladas por ano. A indústria de papel e celulose ocupa uma fatia de aproximadamente 30% desse total (GM).