SUDENE TEM NOVOS PLANOS NO NORDESTE

Para resolver o que chamou de "apartheid social", o superintendente da SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), Cássio Cunha Lima, apresentou ontem um Plano de Ação Governamental (PAG) para o Nordeste e Norte de Minas Gerais. O objetivo é reverter a prioridade dos investimentos-- atualmente concentrados no litoral e nas grandes empresas-- privilegiando o semi-árido e as pequenas empresas. Entre as medidas definidas pelo PAG está prevista a criação de uma renda mínima de meio salário-mínimo para a população de baixa renda. Em vez de pagar pelo trabalho, como nas frentes de emergência, a idéia é cobrar o "exercício compulsório da cidadania". "Para receber, o sujeito vai ter que provar, por exemplo, que seus filhos estão na escola e sendo vacinados", explica Lima. Com isso, ele espera um aumento da escolaridade e da qualidade dos recursos humanos. "Sem trabalhadores capacitados não é possível pensar em desenvolvimento", diz. Além do investimento em educação e tecnologia, o PAG tem outras três formas de ação. Segundo Cunha Lima, é preciso rever os critérios para o crédito agrícola, liberado levando-se em conta o calendário do Sudeste, e não as difíceis condições de plantio no Nordeste castigado pela seca. O fortalecimento hídrico, com canais de irrigação e açudes, faz parte do projeto. Outra medida é a reforma agrária, interrompida no final do governo Sarney e só retomada agora. Lima afirma que este esforço será concentrado no Polígono das Secas-- que a SUDENE calcula em um milhão de quilômetros quadrados--, os menos lembrados nos 33 anos de existência da SUDENE. O plano de incentivos e investimentos na região atualmente é como um
76394 saci: só o litoral ganhou. Daqui para frente, vamos investir na outra
76394 perna da região, incentivando o interior. Com isso, acredita, será possível criar um mercado consumidor forte, trabalhadores capazes e boa base industrial em cinco anos. Orçado em US$3 bilhões por ano, o plano não tem ainda, porém, recursos garantidos (JB).