Os cortes de despesas sugeridos pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, para ajudar a eliminar o déficit orçamentário em 1994, vão recair pesadamente sobre as compras e as pequenas obras administrativas dos ministérios. A idéia é reduzir o gasto programado para o próximo ano de US$19 bilhões para US$14 bilhões, ou seja, cortar US$5 bilhões, para fechar um pacote de cortes globais de US$13 bilhões. Além deste corte, o Ministério da Fazenda quer também reduzir a despesa com pessoal, em 1994, em US$6 bilhões, cortando a dotação orçamentária programada de US$27 bilhões para US$21 bilhões (mesmo gasto previsto para 1993). No elenco dos cortes consta ainda uma redução de US$2 bilhões das transferências de recursos federais para o setor de educação. Para isso, a equipe econômica conta com aprovação de emenda constitucional ainda neste ano. As despesas da União com pagamento de pessoal equivalem a 15,5% dos gastos previstos pelo Executivo para o Orçamento de 1994. Percentual que não é pequeno, mas que não difere muito do registrado em outros países, do Primeiro Mundo ou do Terceiro. A taxa no Brasil supera os 11,2% que o governo norte-americano gasta com seus funcionários públicos, é praticamente ao gasto no Chile e bem menor do que os 23,8% da Argentina ou menos do que os 18,1% do Canadá. O Orçamento de 1994 prevê despesas de US$66,115 bilhões para pagamento de juros e amortizações das dívidas interna e externa, o que equivale a 36,05% dos gastos totais. Mas a maior parte destes recursos será tomada pelo pagamento da dívida interna, que está estimado em US$55,3 bilhões (O Globo).