O motorista da Câmara dos Deputados Josué Cardoso contou ontem à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento como transportou duas malas de dinheiro a pedido do deputado João Alves (PPR-BA). Uma delas foi para as mãos do economista e ex-assessor do Senado Federal José Carlos Alves dos Santos, a outra foi entregue ao próprio deputado, que em seguida viajou para Salvador (BA) num táxi aéreo. Segundo o motorista, João Alves mentiu ao negar que trabalhava com dólares. "Na maleta que levei ao aeroporto havia dólares", disse. Ele trabalhou para o deputado entre 1986 e 1987. No início, recebeu um revólver Smith-Wesson de João Alves, que depois lhe deu dinheiro para comprar um Taurus. Josué disse que devolveu a arma ao ser afastado do cargo, sob alegação de ter assediado uma empregada. "Ele inventou a história porque em sabia de alguma coisa a mais, talvez sobre o dinheiro", revelou. Levantamento da Caixa Econômica Federal (CEF) indica que o deputado João Alves apostou na Loteria Esportiva o equivalente a US$5 milhões só no segundo semestre de 1991. Alves diz ter ganho mais de 200 vezes. Ele pagou algumas apostas com cheques. O presidente da CEF, Danilo de Castro, disse que existem "evidências claras" de que a loteria foi usada para "lavagem" de dinheiro. O levantamento revela que apenas em uma semana, João Alves chegou a apostar US$1 milhão. O parlamentar jogava muito para, mesmo ganhando menos que o valor apostado, legalizar dinheiro em seu poder. O deputado integra a relação dos maiores ganhadores das cinco loterias mantidas pela CEF e na Loteria Esportiva é o primeiro da lista. José Carlos Alves dos Santos também aparece na lista de maiores ganhadores. Documentos encaminhados pela Polícia Federal à CPI do Orçamento revelam que o Ministério da Educação repassava informações oficiais para a Seval, empresa de consultoria acusada de participar do esquema do deputado João Alves. Cópias de comunicações trocadas em 1991 entre o Ministério e a Seval demonstram que a empresa controlava planilhas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão que funciona como um banco, repassando verbas de até US$1 bilhão por ano para construção e reforma de escolas. Documentos recolhidos por integrantes da CPI na casa do ex-assessor José Carlos revelam que o "esquema PC", comandado por Paulo César Farias, ex- tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello, chegou a se cruzar em determinadas ocasiões com o sistema de corrupção do Orçamento. Além disso, os dois esquemas também utilizavam o mesmo sistema de remessa de dinheiro para o exterior. As informações são do senador José Paulo Bisol (PSB-RS), membro da CPI do Orçamento (O ESP) (FSP) (JB) (O Globo).