BRASIL PERDE US$300 MILHÕES POR ANO COM PARALISAÇÃO DE ANGRA 2

A falta de uma definição política do governo Itamar Franco a respeito do futuro da usina nuclear de Angra 2, em Angra dos Reis (RJ), custa caro aos cofres da União. No mínimo, são US$200 milhões pela energia que deixa de ser gerada e outros US$100 milhões pelo custo de manter o empreendimento parado no atual estágio. São, ao todo, US$300 milhões anuais que deixam de ser contabilizados. Exatamente o valor que seria necessário investir, anualmente, para completar as obras no prazo mínimo de cinco anos. E, do valor médio de US$2 bilhões estimados no mercado para custear uma usina desse tipo, o preço total já foi a, pelo menos, US$5,1 bilhões-- dos quais US$3,6 bilhões foram desembolsados até o momento. O que mais angustia os técnicos de FURNAS que administram as obras de Angra 2 é que não há absolutamente mais nada que eles possam fazer dentro do canteiro, se o governo não der o sinal verde definitivo para o reinício dos trabalhos até sua conclusão. Isso porque toda a parte de infra-estrutura e construção da usina foi concluída, restando apenas instalar os equipamentos internos para fechar a esfera de contenção e iniciar os testes. O problema maior, na verdade, é que 80% dos equipamentos necessários ao funcionamento da usina já estão armazenados no canteiro de Angra 2 e nos armazéns de Angra 1 e Itaguaí (RJ). São, no total, 22 galpões com 30 mil metros quadrados de área completamente ocupada. Essa armazenagem custa a FURNAS mensalmente US$500 mil, sem considerar que os 20% restantes do equipamento preparado pela empresa alemã fornecedora Siemens se encontram armazenados no porto de Hamburgo, por falta de onde colocá-los aqui no Brasil. Parada desde março deste ano, a usina nuclear de Angra 1 deverá voltar a funcionar só em dezembro próximo. A razão da paralisação no fornecimento de energia, segundo FURNAS, é um problema do projeto, que está sendo refeito, e se resolveu aproveitar a parada do reator para realizar já sua manutenção anual. A cada dia que opera Angra 1 deixa de arrecadar US$274 mil em energia não fornecida (GM).