EMPREITEIRAS SÃO OÁSIS NA CRISE DA ECONOMIA BRASILEIRA

O faturamento das empreiteiras no Brasil deu um salto absolutamente fora do normal nos anos de 1987 e 1988 e, apesar de cair um pouco, tem ainda um desempenho inteiramente descolado do resto da economia brasileira. É isto que revela a análise feita em dois dos mais importantes anuários do país: o "Balanço Anual", da "Gazeta Mercantil" e o "Melhores e Maiores", da revista "Exame". Até o ano de 1986 o segmento de construção pesada dentro do setor de construção civil no Brasil vinha acompanhando a mesma evolução dos outros 32 setores analisados no anuário da "Exame". Em 1987 e 1988, enquanto o resto da economia evoluiu 8% e 1% respectivamente, o faturamento das empreiteiras subiu 44% e 49%. A "barriga" coincide em parte com o período que precedeu a promulgação da Constituição de 1988, mas há outras revelações nos frios números dos balanços e dos "rankings" das empreiteiras, o setor que vai para a berlinda a cada Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Na década perdida, a receita do setor pulou de US$6 bilhões para US$13,7 bilhões anuais e houve uma dramática concentração: as sete maiores, que detinham 37% do mercado, passaram a responder por 63%. Ir bem quando o país vai mal e favorecer só as grandes empresas pode parecer, aos espíritos mais autoritários, males produzidos pela democracia. Não é verdade. A análise do "market share" (participação no mercado) de cada empresa em particular, comparada à média do "market share" das concorrentes, mostra que cada empreiteira tem sua época áurea e depois pode até desaparecer do mapa. A fatia da Camargo Correia, por exemplo, ficou gorda no governo Figueiredo, depois despencou. A CR Almeida, a Odebrecht, a Andrade Gutierrez e a OAS crescem com o aumento do poder do Congresso e dos estados e municípios. A Odebrecht cresceu a partir do momento em que, comprando a CBPO, entrou no clube das "barrageiras", o cartel que construiu as grandes obras hidrelétricas do governo militar. A OAS em 80 tinha 0,25% do "market share" e estava em 84o. lugar no "ranking". Em 1991, tinha 8,3% e já era a terceira maior. A CR Almeida pulou de sétima para segunda. As duas nunca foram "barrageiras". Eles apostaram em outros clientes: a CR Almeida investiu nas prefeituras, que, com a nova Constituição, ficaram endinheiradas. A OAS apostou nos fundos de pensão. A maioria dos seus projetos é feita por encomenda, ou em associação, com os fundos das empresas estatais (O Globo).