Uma carta do deputado João Alves (PPR-BA) ao deputado Ricardo Fiúza (PFL- PE), então ministro da Ação Social no governo Collor de Mello, confirma o envolvimento deste no escândalo do Orçamento. No texto, João Alves diz a Fiúza que a oposição descobrira as falcatruas na Comissão de Orçamento. A carta, de maio de 1991, envolve também o líder do PMDB, deputado Genebaldo Correia. O deputado João Alves destinou em 1990 ao município de Itororó (BA) US$1,7 milhão em troca de votos. O acordo foi confirmado pelo prefeito Gilton Antônio Alves. O deputado prometeu verbas "suficientes para um banho de obras". Desconhecido da população, ele teve 3.853 votos. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento descobriu que João Alves liberou US$25 milhões para os 10 municípios baianos onde foi mais votado. A maior fatia, de US$16 milhões, ficou com Salvador (BA). A CPI vai apurar as denúncias de envolvimento da empreiteira Queiroz Galvão com autoridades do governo. O deputado Benito Gama (PFL-BA) anunciou que vai requisitar hoje os documentos obtidos com exclusividade pelo jornal "O Estado de S.Paulo" que mostram a interferência da empreiteira no Orçamento da União. Os documentos sobre o envolvimento de políticos e empreiteiras no esquema de manipulação de verbas foram jogados no lixo do escritório da construtora em Brasília (DF). Na operação de limpeza de arquivos, feita na madrugada do dia em que o economista José Carlos Alves dos Santos revelava à CPI detalhes sobre o esquema de corrupção, a empreiteira livrou-se de 22 quilos de papéis que incluíam emendas ao Orçamento de seu interesse, pedidos de recursos feitos por governadores e informações do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), cujo acesso é restrito. A CPI vai analisar a evolução patrimonial das 22 pessoas acusadas por José Carlos. O objetivo é verificar se a aquisição de bens é compatível com a renda declarada pelos envolvidos (O ESP) (FSP) (O Globo).