DOSSIÊ REVELA TRÁFICO DE INFLUÊNCIA NO BANCO DO BRASIL

Desde 1986, sobrevive à sombra do Banco do Brasil uma entidade de "lobby" que, entre outros benefícios, conta com quatro de seus cinco diretores cedidos em tempo integral pelo BB. Segundo as denúncias, a Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb) atua na defesa dos interesses corporativos do BB no Congresso Nacional e no tráfico de influência no banco. Do dossiê contra a Anabb consta a acusação de que a associação burla o Imposto de Renda, já que, como entidade sem fins lucrativos, não poderia remunerar seus diretores, inclusive com horas extras. Segundo confirmou a Assessoria de Imprensa do banco, quatro funcionários foram cedidos sem qualquer ônus para o BB, que considera, entratanto, o período de cessão para todos efeitos trabalhistas, incluindo a aposentadoria. Os documentos mostram ainda como se dá o tráfico de influência. A Anabb interfere na escolha de gerentes. O então diretor de Recursos Humanos do BB, Celso Freitas Cavalcanti, enviou telex à Anabb em setembro de 1992, no qual informa que atendendo a pedido formulado pela associação estava nomeando Cláudio José Succo para o cargo de gerente na agência de Itapema (SC). Curiosamente, a agência de Itapema é uma das que receberam aplicações da Anabb em Recibos de Depósito Bancário (RDB). A Anabb recolhe dos associados CR$20 milhões por mês. O dinheiro é usado em atividades políticas, como o financiamento da campanha do funcionário José Sampaio de Lacerda Jr. para o cargo de representante do funcionalismo junto à diretoria do BB, conforme a denúncia. Os documentos trazem também faturas de despesas dos diretores com moradia, hospedagens, viagens e jantares (O ESP).