PESQUISA SOBRE A PROIBIÇÃO DO ABORTO

A maioria absoluta (65%) da população brasileira é contrária à legalização do aborto. A taxa permanece a mesma registrada pela pesquisa do "DataFolha" de 1991, quando 68% defendiam a proibição. A pesquisa mostrou também que os grupos mais favoráveis à legalidade da interrupção da gravidez são os de escolaridade superior (54%) e os eleitores do PSDB (41%). A mulher com AIDS pode fazer aborto legal para 71% dos entrevistados. No Brasil, o aborto é permitido nos casos de gravidez resultante de estupro ou que ponha em risco a vida da mãe. A opinião da população paulistana sobre o assunto contrasta com os resultados obtidos na pesquisa nacional. Na cidade de São Paulo (capital), 42% se declaram favoráveis à legalização do aborto, contra 26% na pesquisa nacional. No levantamento sobre aborto foram ouvidas 2.500 pessoas em todo o Brasil (exceto Roraima e Amapá) e 1.080 na cidade de São Paulo. A ofensiva da Igreja Católica contra o aborto está surtindo resultados no Congresso Nacional. Segundo pesquisa do "DataFolha", apenas 22% dos deputados e senadores não querem que o aborto continue a ser crime. A maioria relativa (47%) deseja que a lei permaneça como está, prevendo exceções apenas nos casos de estupro e risco de vida da mãe. Mas 25% aceitam que se aumentem os casos em que o aborto é permitido. Esses casos variam desde a situação econômica da mãe, má formação do feto, idade da mãe (menor de idade), até risco de vida à criança ou incesto. O assunto voltou a ser enfatizado na nova encíclica papal, batizada de Esplendor da Verdade, exigindo dos católicos a rejeição ao aborto. Há duas frentes, hoje, no Congresso, para que o aborto deixe de ser crime. Na Câmara, há um substitutivo da deputada Jandira Fegale (PC do B-RJ) e no Senado há um projeto da senadora Eva Blay (PSDB-SP). Esses projetos são acompanhados de uma articulação nos bastidores do Congresso, promovido por entidades feministas, mas ainda com efeitos limitados (FSP).