Por vantagens eleitorais e pecuniárias, pura infidelidade ou insatisfação de ordem diversa, 130 deputados federais-- um quarto dos membros da Câmara-- trocaram de partido na atual legislatura. Há casos em que um único parlamentar mudou quatro ou cinco vezes de legenda em pouco mais de dois anos. Paraná e Rio de Janeiro lideram o ranking da infidelidade, com 15 trocas cada, seguidos da Bahia, com 13, e de São Paulo, com 11. A situação mais escandalosa, porém, é a de Rondônia, em que toda a bancada de oito deputados migrou dos partidos pelos quais foi eleita. A dança de filiações é recorde na história recente do país e atingiu todos os partidos, independentemente de linha ideológica. Inconformado com o troca-troca partidário e as suspeitas de venda de mandato, o deputado José Direceu (PT-SP) acaba de elaborar proposta de emenda à Constituição estabelecendo a cassação de deputados e senadores infiéis. "Essa prática fragiliza o sistema político-partidário e prejudica a democracia", justificou. Para Dirceu, a maioria das mudanças de legenda tem motivação de caráter pessoal, eleitoreiro e fisiológico. Com a medida, Dirceu espera revigorar os partidos políticos, como "sustentáculos das instituições democráticas" e, principalmente, pôr um fim ao comércio de siglas partidárias, que a seu ver tem contribuído para desmoralizar o Congresso Nacional. O partido mais atingido pelo troca-troca foi o PRN, do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que perdeu 32 dos 35 filiados. A seguir vêm o PMDB, com 23 baixas, o PTB (21), o PDC (14) e o PDT (12). Entre os chamados partidos grandes, o PT foi o menos atingido, com duas baixas. Os deputados Carlos Camurça e Reditário Cassol, eleitos pelo PTB de Rondônia, são recordistas de infidelidade, cada um com cinco mudanças de legenda desde 1991 (JC).