Num explosivo depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa, a principal testemunha sobre a rede de corrupção instalada no governo do Rio Grande do Sul, Renilda Maria da Silva, revelou ontem que o empresário José Mota Pereira recebia, em Brasília (DF), sacos de leite em pó da Corlac, empresa do governo gaúcho, com cocaína enviada por seu ex-amante, Tomaz Acosta, e Celestino Elizeire Jr., sócio de Tomaz e irmão da primeira-dama e secretária estadual de Educação, Neuza Canabarro. Segundo Renilda, eles tiravam o leite em pó das embalagens, substituindo-o por saquinhos de cocaína, e os despachavam para Brasília. Tomaz e Celestino são donos de uma empresa que intermedia a venda de produtos da Corlac em outros estados e estão presos no Presídio Central de Porto Alegre por acusação de tráfico de drogas. A testemunha afirmou ainda que integrantes do Conselho de Tráfego do DAER (Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem), entre eles Tomaz, recebiam presentes (dólares, telefones celulares, aparelhos de televisão e passagens aéreas) em troca da concessão de novas linhas de ônibus e reajustes dos preços das passagens de ônibus. Além de uma série de documentos que entregou à CPI, Renilda relatou também que Celestino e Tomaz, com dinheiro de propina, compravam ouro no Paraguai e Uruguai, onde ambos pretendiam adquirir uma fazenda (JB).