ANISTIA LANÇA CAMPANHA DE DESAPARECIDOS

Depois de anos denunciando as ditaduras militares e os regimes autoritários, a Anistia Internacional volta agora suas bandeiras contra os assassinatos políticos e desaparecimentos. A entidade lançou, em todo o mundo, a campanha mais abrangente de sua história-- "Vidas por trás das mentiras: campanha contra os desaparecimentos e assassinatos políticos"--, que surge 10 anos e mais de 100 mil mortes depois da última realizada pelo organismo. Segundo Carlos Idoeta, presidente da seção brasileira da Anistia Internacional, os assassinatos políticos-- cometidos aqui por esquadrões da morte com o apoio de setores das Forças Armadas-- e desaparecimentos representam agora a maior ameaça aos direitos humanos nos anos 90 e a comunidade internacional está falhando em impedí-los. De acordo com a entidade, "a esperança de que os direitos humanos fossem respeitados na tão proclamada nova ordem mundial foi ferida de morte". Para não ficar apenas nas estatísticas e dar uma cara à campanha, a Anistia escolheu 25 casos concretos. Do Brasil, foi escolhido o caso dos adolescentes Roberto Carlos da Costa, 18 anos, e Natalino José Batista, 16 anos, vistos pela última vez no dia 10 de setembro de 1992, em Vila Nova York, na Zona Leste de São Paulo (SP). Depois de algumas passagens pela polícia, os dois sofreram um atentado em agosto de 1992, denunciado ao Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente Mônica Paixão Trevisan e, desde o dia 10 de setembro daquele ano, não foram mais vistos (JB).