Mesmo sem haver um tratado de extradição entre o Brasil e a Grã-Bretanha, é legalmente possível que Paulo César Farias, o PC, venha a ser extraditado para o Brasil. Dependerá, em última instância, da decisão de um juiz britânico e será, em qualquer hipótese, um processo demorado, que poderá consumir vários meses. Um porta-voz do Home Office (Ministério do Interior) britânico disse que o secretário do Interior pode decretar a extradição, numa base "ad hoc", "se os crimes forem suficientemente sérios". Quem decidirá isso será uma Corte de Justiça, provavelmente a de Bow Street. Mesmo que o juiz considere que há base para a extradição, PC teria direito a várias instâncias de apelações à sentença. A base para o pedido de extradição, segundo o embaixador do Brasil em Londres, Paulo Tarso Flecha de Lima, são cinco tipos de crimes: falsidade ideológica, supressão de documentos, corrupção passiva, corrupção ativa de testemunha e coerção no curso do processo. O governo francês negou a PC visto para entrar no país. PC preferia se refugiar em Paris, onde tem conta bancária, amigos, negócios e um apartamento. A alegação, segundo fontes diplomáticas, foi a de que a França está saturada de casos desse tipo. É, por exemplo, residência temporária de Baby Doc, ditador deposto do Haiti também procurado pela Justiça (GM) (O ESP).