Os ministros militares apóiam as investigações que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) está fazendo para apurar manipulação de verbas na Comissão do Orçamento e descartam a intervenção das Forças Armadas. O ministro do Exército, Zenildo Zoroastro de Lucena, admitiu não saber até que ponto os resultados da investigação podem levar à instabilidade. "Espero que não cheguemos à instabilidade", declarou. Lucena defendeu que "se depure tudo" e acredita que a CPI vai punir os culpados. Também garantiu não ter orientado os quartéis sobre o comportamento que os militares devem ter frente à crise política. Para o ministro da Marinha, Ivan Serpa, a instalação de uma CPI para apurar problemas do Congresso demonstra que "as instituições democráticas estão funcionando como devem e tomando decisões dentro da sua esfera de atuação". Serpa considera as investigações da maior importância "para a democracia". O ministro da Aeronáutica, Lélio Lobo, disse acreditar que o país vencerá as dificuldades, "meramente conjunturais". "Tenho uma confiança muito grande no Congresso e no que vai decidir", assegurou Lobo. Segundo o ministro, o país enfrenta várias crises, mas também tem alegrias e sucessos. Em sua opinião, o importante é que a sociedade esteja voltada para os objetivos maiores-- sair da crise econômico-financeira e superar os problemas de falta de emprego, salários e de combate à miséria. Os ministros militares repudiaram qualquer insinuação sobre interferência das Forças Armadas no processo político, se a crise não for superada. "Os militares há muito tempo não fazem qualquer interferência no processo político, até porque não é esse o caso", disse o ministro da Aeronáutica (JC).