Os parlamentares acusados pelo economista José Carlos Alves dos Santos de envolvimento com o esquema de corrupção no Orçamento Geral da União tiveram participação decisiva na articulação que arquivou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada em maio do ano passado para investigar denúncias de irregularidades na Comissão de Orçamento. A CPI foi requerida em abril de 1992 pelo deputado Jaques Wagner (PT-BA). Ela teria o objetivo de investigar as denúncias de que o deputado João Alves (PPR-BA), relator da comissão, teria intermediado verbas públicas. O requerimento da CPI teve o apoio de 168 parlamentares, mas foi arquivado depois de uma reunião conjunta das mesas diretoras do Senado e da Câmara. A reunião foi chamada pelo deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), então presidente da Câmara, e pelo presidente do Senado na época, Mauro Benevides (PMDB-CE). Hoje os dois fazem parte da lista de parlamentares acusados de participar da fraude no Orçamento. Outros dois parlamentares acusados por Santos participaram da reunião: os senadores Saldanha Derzi (PRN-MS) e Alexandre Costa (PFL-MA). Os dirigentes do Congresso decidiram, por unanimidade, reduzir o número de CPIs porque elas estavam "atrapalhando o andamento do Congresso". Com base nesta decisão, Ibsen e Benevides decidiram que a investigação das denúncias deveria ser feita pelos presidentes da Câmara e Senado. Nada, então, aconteceu (FSP).