DÓLARES DO ORÇAMENTO IAM PARA O EXTERIOR

No seu segundo dia de investigação, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento descobriu ontem que o ex-assessor do Senado Federal, José Carlos Alves dos Santos, enviou para o exterior US$470 mil-- US$50 mil depositados em uma conta em Nova Iorque (EUA) e US$420 mil nas Bahamas. o dinheiro foi remetido através da agência do Banco Nacional em Brasília (DF), sem passar pelo Banco Central. A CPI, ontem mesmo, solicitou o bloqueio dessas contas. Em três anos, José Carlos arrecadou US$3,6 milhões em propinas no Orçamento. Além das contas no exterior, José Carlos revelou a integrantes da CPI que mais US$900 mil estavam escondidos em sua casa, junto com duas malas com documentos que provam o envolvimento de parlamentares na máfia do Orçamento. O dinheiro foi recolhido pela PF e os documentos seguiram para análise da CPI. Entre os documentos, há uma lista manuscrita com os nomes dos integrantes do esquema de corrupção, encabeçada pelo atual líder do PMDB na Câmara, deputado Genebaldo Correia (BA). Há duas semanas, a polícia havia encontrado US$1 milhão na casa de José Carlos. A CPI criou quatro subcomissões para investigar aspectos específicos das denúncias, como a ação das empreiteiras. O deputado Manoel Moreira (PMDB-SP), um dos "sete anões"-- como ficou conhecido o grupo de parlamentares que manipulava o Orçamento--, foi acusado ontem por Marinalva Moreira, sua ex-mulher, de ter um esquema para repassar verbas a fundo perdido do Orçamento para prefeituras e para uma associação evangélica, fundada por ele. Segundo Marinalva, embora fosse pobre ao se casar, o deputado tem hoje mansões avaliadas em US$2,5 milhões. O líder do governo na Câmara, deputado Roberto Freire (PPS-PE), disse que o presidente Itamar Franco aceitaria os pedidos de demissão dos dois ministros acusados no escândalo do Orçamento, Henrique Hargreaves, do Gabinete Civil, e Alexandre Costa, da Integração Regional (O Globo) (JB).