GOVERNO PEDE EXTRADIÇÃO DE PC FARIAS

O Ministério das Relações Exteriores formalizou ontem junto ao governo britânico o pedido de extradição para o Brasil do empresário Paulo César Farias, o PC, foragido da Justiça desde 30 de junho, quando foi decretada sua prisão preventiva por sonegação. O Brasil e a Inglaterra não têm tratado de extradição, o que tornaria praticamente automático o processo, mas o chanceler Celso Amorim disse ter esperanças de ser atendido pelas autoridades inglesas. O governo brasileiro cogita a possibilidade de entregar às autoridades britânicas Ronald Biggs, um dos assaltantes do trem pagador em 1963. Ele fugiu da Inglaterra em 1965 e vive desde 1970 no Brasil. Por intermédio do embaixador do Brasil em Londres, Paulo Tarso Flecha de Lima, o governo brasileiro solicitou ao Ministério das Relações Exteriores da Inglaterra a vigilância constante de PC para evitar que o empresário deixe o Reino Unido. PC estava sob vigilância da Polícia Federal em Londres desde o dia 16 de outubro, segundo o chefe da Interpol no Brasil, delegado Edson de Oliveira. O fugitivo chegou à Inglaterra no dia 10 de outubro e hospedou-se num hotem perto do centro de Londres. O delegado Edson viajou para esse local no dia 15, e no dia 18 ele e seus agentes compartilharam o mesmo salão de um restaurante de luxo onde PC jantou. De acordo com o chefe da Interpol, PC ficou com medo de ser sequestrado pela polícia brasileira e foi aconselhado por seus advogados a revelar seu esconderijo à imprensa. Segundo a PF, PC passou pelo Paraguai, pela Argentina, Venezuela e Caribe, antes de chegar à Inglaterra. Em entrevista concedida à Rede Globo, PC afirmou que não tem mantido conversas com o ex-presidente Fernando Collor de Mello. Ele disse que a vida de foragido "é horrível" e que se sente muito melhor na Inglaterra do que na Argentina. Ele afirmou que voltará ao Brasil e que terá "muita coisa a dizer" (O ESP) (FSP).