O grupo Tortura Nunca Mais faz ato público hoje na Câmara Municipal do Rio de Janeiro (RJ) para denunciar o Exército por continuar usando o quartel do 1o. Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca, zona norte da cidade, para torturar presos, como fez durante a ditadura militar. Segundo a entidade, seis presos acusados de pertencer à quadrilha do traficante Nelson da Silva, o "Bil do Borel", ficaram 10 dias no quartel, sendo submetidos a interrogatórios e torturas físicas e psicológicas para dar pistas sobre a procedência das armas dos traficantes. Eles foram presos no último dia 30 de junho, em Magé (RJ), com grande quantidade de drogas e armas das Forças Armadas. Em ofício encaminhado ao vice-governador Nilo Batista, o Tortura Nunca Mais informou que os seis rapazes tiveram "assistência médica" durante as sessões de tortura, "bem ao estilo do período da ditadura militar", e foram impedidos de receber visita de advogados ou de parentes durante os 10 dias. O advogado Robson Magalhães Pereira, único a entrar no batalhão, disse que os presos confirmaram a tortura, na presença de oficiais do Exército (O ESP).