Tropas do Exército, com apoio de equipamentos e veículos de campanha, vão participar de operações conjuntas com as Polícias Civil e Militar para impedir a entrada de drogas e armas no Estado do Rio de Janeiro. "Não serão operações gigantes, mas ações bem estudadas em regiões previamente investigadas. Uma asfixia", afirma o vice-governador Nilo Batista, que está articulando o plano com o general Rubem Bayma Denys, comandante militar do Leste. Os alvos da operação são as estradas principais e secundárias de acesso ao Rio, os aeroportos e aeroclubes do interior, as pistas de pouso em fazendas e os portos das cidades costeiras. A base operacional do plano já está definida: é o programa "Alô, Fronteira"-- um projeto já em vigor há dois anos e que teve a participação do Exército em sua primeira fase. Pelo programa, unidades policiais do estado espalhadas pelas várias regiões do Rio se juntam para um objetivo definido. Agora, a idéia é reforçar essas ações com tropas do Exército. Levantamento do Exército aponta que 12 de suas 34 unidades instaladas no Rio de Janeiro ficam em áreas de risco iminente, vizinhas a "quartéis" de traficantes. Os pontos considerados mais críticos são o 1o. Depósito de Suprimentos, em Benfica, cercado pelas favelas do Jacarezinho, do Expedicionário e de Manguinhos; e a vila militar do Centro de Estudos de Pessoal, que separa os morros da Babilônia e Chapéu Mangueira, no Leme. O 24o. Batalhão de Infantaria Blindada-- onde um soldado foi baleado por traficantes da favela Roquete Pinto-- não fazia parte, até três semanas atrás, da lista de locais mais perigosos. Em encontro com o presidente Itamar Franco, ontem, no Palácio do Planalto, o governador Leonel Brizola (PDT) criticou todos aqueles que defendem a intervenção do Exército no Rio de Janeiro, mas disse aceitar a cooperação militar sempre que houver uma necessidade, dando como exemplo a colaboração atual entre as duas instituições no combate ao tráfico, no contrabando de armas e no roubo de automóveis (O Dia) (O Globo) (JB).