Documentos internos do Congresso Nacional indicam que as grandes empreiteiras influem na elaboração do Orçamento Geral da União. Os documentos demonstram que os relatores do projeto orçamentário definem o naco de verbas públicas a ser destinado a cada obra já sabendo de antemão qual é a empreiteira responsável pelo projeto e qual o deputado que patrocina o pedido. Os documentos registram os nomes de empreiteiras beneficiadas com a liberação de dinheiro público. Entre elas estão OAS, Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez, envolvidas pelo ex-diretor de Orçamento da União, José Carlos Alves dos Santos, no suposto esquema de corrupção que agiu na Comissão de Orçamento. A lista inclui ontras empresas, como Mendes Júnior, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa. O deputado Sérgio Guerra (PSB-PE), que foi subrelator do Orçamento de 1992 para o Departamento Nacional de Estradas e Rodagem, disse que "o Congresso não tem condições de fazer o relatório correto. Temos duas formas de colher informações: o DNER e as empreiteiras. Um dos documentos mostra que Guerra usou informações das empreiteiras para fazer seu parecer em 1991. Ele baseou seu relatório em uma listagem de 200 páginas de computador, que relacionava todas as emendas apresentadas por deputados. Em alguns casos, aparecia o nome da empreiteira responsável pela obra. Ao lado das emendas, o documento relaciona os parlamentares e empreiteiras beneficiadas. A empreiteira Tratex, por exemplo, foi beneficiada com quatro obras, avaliadas na época em Cr$5,1 bilhões. A Andrade Gutierrez recebeu dois projetos, totalizando Cr$3,5 bilhões. Os deputados José Luiz Maia (PPR-PI) e Flávio Derzi (PRN-MS), que também foram denunciados por Santos, aparecem no documento. Maia seria o autor de três emendas atendidas, no valor de Cr$4,5 bilhões. Derzi teria tido atendida uma emenda, de Cr$1 bilhão (FSP).