REVISÃO VAI CONTINUAR APESAR DO ESCÂNDALO

Os líderes partidários decidiram ontem que a revisão constitucional vai prosseguir, convivendo com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)-- que será instalada hoje-- para investigar denúncias de corrupção na destinação de verbas do Orçamento Geral da União. O presidente do Congresso Revisor, senador Humberto Lucena (PMDB-PB), um dos acusados, seguirá à frente dos trabalhos. A criação da CPI, no entanto, vai atrasar a revisão. O presidente da Câmara, deputado Inocêncio de Oliveira (PFL-PE), começou a negociar ontem com os partidos a ampliação dos prazos previstos no projeto de regimento da reforma da Carta. A CPI do Orçamento será presidida pelo senador Jarbas Passarinho (PPR-PA) e terá como relator o deputado Roberto Magalhães (PFL-PE). Eles vão concentrar as investigações no deputado João Alves (PPR-BA) e no ex- assessor do Senado José Carlos Alves dos Santos, ex-diretor do Departamento de Orçamento da União e autor das denúncias. Serão investigados 23 parlamentares, três governadores, dois ministros e três ex-ministros. O ministro da Justiça, Maurício Corrêa, determinou ontem à Polícia Federal que abra imediatamente inquérito para investigar as acusações de José Carlos. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) vai propor uma campanha de boicote à revisão constitucional, se o Congresso insistir em mantê-la apesar do escândalo do Orçamento. A decisão foi tomada ontem, em reunião da direção executiva nacional, segundo o secretário de imprensa, Sérgio Barroso. Caso o Congresso não interrompa a revisão, a central promete não reconhecer as decisões dos parlamentares, afirmou. A CUT deve levar a proposta a entidades da sociedade civil, com as quais pretende articular formas de ação para barrar o processo. O presidente da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), Canindé Pegado, defendeu a interrupção da revisão até o fim das apurações. Para o presidente da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros, a revisão deve continuar, apesar do escândalo. Ele disse também ser contra antecipar as eleições (O ESP) (JB) (FSP).