RENDA PER CAPITA CAIU 2,7% EM 1992

A renda per capita no Brasil caiu 2,7% no ano passado, em relação a 1991, ou seja, os brasileiros ficaram mais pobres, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O IBGE divulgou ontem o Produto Interno Bruto (PIB) definitivo de 1992, que totalizou CR$1,84 trilhão. Com isso, a queda do PIB em 1992, em relação ao ano anterior, foi de 0,9%, e não de 1%, conforme estimativa preliminar feita em junho. No acumulado de 1990 a 1992, o crescimento do PIB foi de apenas 0,3%, enquanto a população aumentou 4,6%. Com isso, a queda acumulada do PIB per capita no período-- a fatia do bolo que cabe a cada brasileiro-- já alcança 9,5%. Na Conta Corrente das Administrações Públicas, os juros da dívida pública interna tiveram crescimento nominal de 2.806% e de 181% em termos reais, aumentando o déficit em conta corrente para o exercício de 1992. Em relação à formação bruta de capital fixo, o IBGE verificou estabilidade na taxa de investimento, de 19,1% do PIB, a preços correntes. Em termos reais, porém, a taxa de investimento em relação ao PIB atingiu o seu nível baixo: 14,5%. De acordo com o Departamento de Contas Nacionais do IBGE, a população brasileira passou de 119 milhões para 149,2 milhões de 1980 para 1992. A renda per capita, que caiu 2,7% no ano passado, também foi negativa em 1991 (-0,8%) e em 1990 (-6,2%). Os dados consolidados do PIB de 1992 indicam queda na produção industrial (-3,6%), no comércio (-3,44%) e serviços (-0,1%), contra crescimento de 5,1% no setor agropecuário. A indústria de transformação liderou a queda da produção industrial, apresentando resultado negativo de 5% em função dos setores de bebidas (- 18,1%), vestuário, calçados e de comunicação (-18,3%). Com isso, a participação da indústria de transformação na formação do PIB caiu de 25,1%, em 1991, para 22,9%, em 1992. Os técnicos do IBGE atribuíram essa queda também à aceleração mais branda dos preços do setor em relação à média da economia. Nos três anos de governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello o Brasil acumulou as menores taxas de investimentos desde 1970, de acordo com os dados do IBGE. O recorde foi a de 14,5% registrada em 1992. A menor taxa anterior já havia sido a de 1991 (15,1%), que ganhou de pouco dos 15,8% de 1990. O pior resultado anterior havia sido 16,2% em 1984 (JC) (JB) (FSP).