A CORRUPÇÃO NA SUDENE

Líderes do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE) vão entregar no próximo dia 21 ao procurador-geral da República, Aristides Junqueira, um dossiê sobre irregularidades e corrupção praticadas por empresas do Nordeste com recursos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) e acobertadas por funcionários do órgão. Atualmente, estão aprovados no órgãos 892 projetos, que correspondem a US$3 bilhões. Uma das fraudes mais comuns, segundo o documento, é a troca de notas fiscais entre empresas com o mesmo endereço para "comprovação" de vendas de produtos ligados a projetos financiados pela SUDENE. No documento será citado o empresário David Knoll, que trocou notas entre a Agroknoll e a Frutsa, instaladas no mesmo endereço e pertencentes a Knoll. "Só no ano passado, essas empresas movimentadam o equivalente a US$2,1 milhões em notas fiscais, muitas das quais entre elas próprias", afirmou o deputado estadual Júnior Souto (PT-RN), que acusa uma funcionária da SUDENE, no Recife (PE), de ter trabalhado para Knoll antes de se transferir para o órgão. Outra irregularidade consiste na falsificação, por parte de funcionários da SUDENE, de perícias de acompanhamento de projetos que existem apenas no papel. No dossiê o mesmo David Knoll aparece como beneficiário de um financiamento de US$616 mil, no ano passado, para a implantação de 30 hectares de manga e 40 hectares de uva na fazenda Nova York. Mas técnicos do Banco do Nordeste do Brasil não encontraram um único pé de manga plantado na área (O Globo).