Sete meses depois de tomarem os diretores da SUDENE (Superintendência Nacional de Desenvolvimento do Nordeste) como reféns, forçando o governo a liberar verbas de emergência contra a seca, 500 trabalhadores rurais de sete estados do Nordeste voltaram ontem a ocupar a entidade, no Recife (PE), por quatro horas. "Viemos aqui para negociar, e não para radicalizar", disse o presidente da CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), Francisco Urbano. "Mas se o governo não atender nossas reivindicações, tomaremos medidas mais drásticas", completou. Os trabalhadores rurais reivindicam, entre outras coisas, a ampliação do número de agricultores alistados nas frentes de trabalho (atualmente são 1,2 milhão) e a correção do pagamento mensal, que em virtude da inflação está hoje reduzido a 1/4 do salário-mínimo para cada trabalhador inscrito. Um documento, assinado por 42 entidades sindicais lideradas pela CONTAG e contendo as reivindicações, será entregue hoje ao presidente Itamar Franco. Os dados mais recentes sobre a seca, colhidos pela SUDENE em setembro, apontam 70% do território do Nordeste em situação crítica, afetando 11,7 milhões de pessoas que passam fome e não têm água. O fornecimento de água potável está sendo feito por 2.800 carros-pipas mantidos pela SUDENE e pelos governos estaduais (JB).