ASSASSINO DE SEIS MENORES CONDENADO A 93 ANOS DE PRISÃO

Luís Carlos Vargas Faneli, o "Cabeludo", foi condenado ontem a 93 anos de prisão pela chacina de seis menores ocorrida em novembro de 1991 na favela Nova Jerusalém, em Duque de Caxias (RJ). Por unanimidade, os jurados da 4a. Vara Criminal de Duque de Caxias decidiram condená-lo por homicídio duplo qualificado com motivo torpe. Ele só deve, no entanto, cumprir 30 anos, que é a pena máxima permitida pela legislação, a princípio em regime fechado. A única sobrevivente da chacina na favela de Nova Jerusalém, D., de 19 anos, reconheceu "Cabeludo" como um dos autores do crime. Em seu depoimento, D., que até hoje tem uma bala alojada na cabeça e mora em outro estado, disse que marcou a cara de "Cabeludo" durante a chacina. Ela disse que cinco homens invadiram o barraco e acusaram os menores de terem roubado um par de tênis e uma arma. Na época em que confessou o crime, Cabeludo disse que decidira matar os menores porque estava sendo acusado de roubos praticados pelo grupo. Ontem, no entanto, ele negou tudo e disse que assumira a culpa anteriormente porque estava sendo pressionado por um traficante conhecido como "Carlos Cachaça". O outro acusado do crime, Antonio Carlos Santos Oliveira, o "Cacá", que também está preso, não foi julgado ontem. A chacina de Nova Jerusalém ocorreu na noite de 15 de novembro de 1991, quando sete menores de 12 a 17 anos, que estavam dormindo dentro de um barraco, forma amarrados e arrastados até um córrego, onde foram executados a tiros. Baleada na cabeça, D. só não morreu porque fingiu estar morta. Uma semana depois, D. reconheceu "Cabeludo", que na época confessou o crime. Morreram na chacina Everaldo da Silva Melo (12 anos), Cristiano Batalha das Neves (15), Erivaldo Alexandrino Passos (16), Roseli Máximo (16), Edson Cunha da Silva (17) e Eder Jofre da Silva Ferreira (17). Os outros três acusados do crime-- Marcos Michel Filho, Clóvis Rafael da Silva, o "Cosme", e Jorge Luís Araújo, o "Ticão"-- continuam foragidos. Janaína da Costa Vargas e Luís Eduardo Vieira Dias, processados por terem ajudado os criminosos, também estão desaparecidos (O Globo).