O presidente Itamar Franco aceitou reduzir seu mandato em um ano em favor de eleições gerais. A antecipação atingiria também deputados e senadores. A Constituição prevê eleições em três de outubro de 1994. A posição do presidente foi apresentada ao líder do governo no Senado Federal, Pedro Simon (PMDB-RS). A afirmação foi feita depois das denúncias do ex-funcionário federal José Carlos Alves dos Santos, que acusou políticos de irregularidades no Orçamento. Os ministros Henrique Hargreaves (Gabinete Civil) e Alexandre Costa (Integração Regional) entregaram seus cargos. Eles foram citados por José Carlos como envolvidos no escândalo. O presidente Itamar Franco aceita a redução de seu mandato e pode propor eleições gerais se o Congresso Nacional decidir que essa é a saída para a crise agravada com as denúncias de José Carlos. "O poder para mudar o calendário é do Congresso, mas o presidente não será obstáculo", afirmou Simon. Os principais líderes do Congresso se mostraram contrários à manifestação do presidente da República. A interpretação dos parlamentares ontem era de que Itamar se aproveitou da declaração isolada do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) a favor da medida para retomar um antigo desejo seu. O presidente já havia dito que gostaria de ver a disputa para ocupar o Palácio do Planalto realizada logo após o Impeachment" de Fernando Collor de Mello. Essa questão de o presidente querer antecipar as eleições é apenas um
76264 desejo dele, mas não achamos que seja o caminho correto, disse o presidente do Congresso, senador Humberto Lucena (PMDB-PB). Na Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Inocêncio de Oliveira (PFL-PE), afirmou que "o país não precisa antecipar eleições. Ao contrário, é preciso estabilidade política para se chegar à estabilidade econômica". Nem mesmo o líder do governo no Senado, Pedro Simon, que transmitiu a idéia de Itamar, é favorável: "Sou contra. Temos é que punir exemplarmente quem denigre a imagem do Congresso". O líder do governo na Câmara, Roberto Freire (PPS-PE), também é contrário a antecipação das eleições O presidente em exercício da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Max Schrappe, disse que a decisão de Itamar de diminuir seu mandato e convocar eleições demonstra que "ele não confia no seu taco". "O presidente deveria garantir a tranquilidade, e não convocar agora uma nova eleição que vai pegar os políticos de calças curtas, fazer a revisão constitucional cair por terra e provocar uma resposta urgente que não será a melhor solução", disse (FSP) (O Globo) (JB).