O representante da FAO (Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) no Brasil, Peter Rosenegger, anunciou ontem a implantação, no próximo ano, pelo governo do Programa de Gerência para Emprego e Renda, que pretende gerar renda e emprego às populações pobres. O programa precisa de US$25 milhões a US$30 milhões, em dois anos, e é considerado por Rosenegger como uma das "poucas verdadeiras alternativas de se combater a fome e a miséria a longo prazo". Ele fez o anúncio ontem durante o seminário sobre Fome, Nutrição e Desenvolvimento Sustentável, promovido pelo Centro de Pesquisas Josué de Castro, com apoio da FAO e da SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), no Recife (PE). Idealizado pela FAO, o programa foi testado ano passado com sucesso na Paraíba e em São Paulo. Consiste basicamente em estimular as comunidades pobres a se organizarem em associações ou cooperativas que lhes possibilitem se integrar à economia oficial. O tipo e atividade a ser desenvolvida cabe à própria comunidade. Peter Rosenegger afirmou que em três meses dezenas de microempresas foram criadas e se mantêm até hoje, beneficiando 10 mil pessoas nos dois estados. Para o representante da FAO, a única dificuldade a ser superada para a implementação do programa em nível nacional é o acesso ao crédito, condição fundamental para a criação das microempresas. Na sua opinião, o problema não é tão grave, porque "bastaria que as linhas de crédito já existentes no país, e que nunca funcionaram, fossem ativadas". O programa atingiria o Nordeste-- que ficaria com cerca de 50% das verbas-- e outros estados brasileiros interessados (JC).