NOVA HIDRELÉTRICA TERÁ CONTROLE AMBIENTAL

Mais um rio na Amazônia, o Jatapu, no norte de Roraima, área de perambulação dos índios Wai-Wai, começa a ser represada para dar lugar a uma nova hidrelétrica na região: a de Jatapu, com capacidade para 10 mW. Em oito anos, é o terceiro rio na mesma região submetido ao impacto de barragens para gerar energia elétrica. Desta vez, porém-- ao contrário dos casos desastrosos dos rios Pitinga, em 1985, e do caudaloso Uatumã, em 1989, para formação do lago de 200 km2 de Balbina-- será realizado um Plano de Controle Ambiental. A obra foi iniciada em abril do ano passado e despertou imediata desconfiança de autoridades e entidades ambientalistas. O IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) denunciou a inexistência do Estudo de Impacto Ambientel (EIA) do projeto e entrou na Justiça Federal em Boa Vista (RR) para deter a obra, que chegou a ser embargada durante quatro dias no início do mês. A batalha judicial não evitou a nova hidrelétrica, mas obteve uma proeza: convenceu o governo de Roraima, responsável pela usina, a minimizar os seus efeitos sobre o meio ambiente. A Coordenação Estadual de Pequenas Hidrelétricas de Roraima (Codesaima) já iniciou o Plano de Recuperação das Áreas Degradadas. A partir de março de 1994, com a formação do reservatório da usina, será implantado o Plano de Controle Ambiental. Um Centro de Pesquisa funcionará nas proximidades da usina para estudar a vida selvagem e garantir a sua preservação. Os índios Wai-Wai, no entanto, temem o impacto que possa ser produzido em seu território, na divisa entre Roraima e Amazonas (até hoje não demarcado), a construção da usina de Jatapu. Segundo o engenheiro Eurico Almeida, da Codesaima, responsável direto pelo programa de redução dos efeitos ambientais do projeto, a inundação será pequena: apenas 15 km2, contra mais de 200 km2 de Balbina. O segredo está na escolha do trecho do rio, localizado entre duas imensas serras. "O impacto de Balbina ocorreu por ter sido construída na planície", diz. O engenheiro garante que o Centro de Estudos da hidrelétrica vai monitorar permanentemente a qualidade da água para evitar problemas para os índios Wai-Wai. O programa inicia no próximo mês o replantio das áreas degradadas (JB).