AS MULTINACIONAIS E A REVISÃO CONSTITUCIONAL

As multinacionais instaladas no Brasil estão se movimentando para eliminar as últimas grandes restrições ao capital estrangeiro ainda exibidas pela economia brasileira. As fichas estão sendo apostadas na revisão constitucional, o que levou aos corredores do Congresso Nacional um exército de executivos encarregados de convencer os parlamentares de que esta é a grande chance para que barreiras sejam derrubadas, para que o país se torne ainda mais atrativo aos investimentos de fora. Hoje estão no país 8.576 empresas multinacionais, que já investiram US$72,5 bilhões e detêm 42,1% do faturamento das 500 maiores empresas privadas. As empresas e associações de classe, como a Câmara Americana de Comércio, argumentam que o monopólio da União no setor do petróleo e nas telecomunicações e a proibição da presença do capital estrangeiro na pesquisa e lavra de recursos minerais são algumas dessas barreiras, e que boa parte delas veio com a Constituição de 1988. O resultado, argumentam as empresas, foi a diminuição progressiva dos investimentos das multinacionais no Brasil. Em 1992, o país captou US$17 bilhões em recursos externos, dos quais US$5,4 bilhões em investimentos diretos por empresas estrangeiras. Para este ano, a previsão de ingresso é de US$16,9 bilhões, dos quais US$4,2 bilhões em investimento. Ou seja, uma queda superior a 20%. Dados citados pela Câmara Americana revelam que o Brasil absorveu, no ano passado, 7,3% dos investimentos mundiais destinados aos países em desenvolvimento, enquanto o México obteve 22,6% e a Argentina 9,1%. Há 10 anos, o Brasil ficava com 22% desses recursos, ocupando o 7o. lugar nas preferências, enquanto hoje o país está em 29o. lugar nesse ranking (O Globo).