De acordo com pesquisa realizada pelo jornal "Folha de São Paulo", o medo de contrair AIDS (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida), que há 14 meses atingia 50% da população de oito capitais brasileiras, chega hoje a 64% dela, enquanto a mudança de comportamento ou de hábitos sexuais aumentou de 14% em dezembro de 1985 para 20%. As capitais onde o medo de contrair a doença está mais presente são Recife (PE), 72% e São Paulo (SP), 70%. O temor é menor em Curitiba (SC), 45% e Porto Alegre (RS), 42%. Os homens (66%), a população até 40 anos (68%) e os solteiros (69%) são os segmentos que mais temem contrair a doença. A pesquisa revela ainda que na cidade de São Paulo o temor é maior na população em geral e entre os jovens de 15 a 25 anos (70%), do que entre as prostitutas (66%) e os homens homo e bissexuais (65%). Em todas as amostras levantadas, o medo está ligado à letalidade da doença: 61% para a população das oito capitais e jovens paulistanos, 51% para as prostitutas e homens homo e bissexuais. Entre os que a temem, o principal motivo apontado pela população das oito capitais e pelos jovens paulistanos é não serem homossxuais ou dos grupos de risco (23% e 21% respectivamente). As populações de São Paulo, Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF) apresentaram, de acordo com a pesquisa, os maiores índices de mudança de comportamento ou de hábitos sexuais por causa da AIDS (22% cada). Curitiba (12%) e Porto Alegre (10%) ficaram com as taxas mais baixas. No geral, a mudança atinge hoje 20% da população das oito capitais. As alterações de comportamento observadas há 14 meses entre os homens (17%) acentuaram-se, atingindo hoje 27%, índice superior ao verificado entre as mulheres (13% hoje, 12% em dezembro de 1985). Foram constatadas em maior grau também na população de 26 a 39 anos (23%), na de solteiros (23%) e separados (28%). As principais mudanças de hábitos incluem a maior seleção de parceiros sexuais (homens 45%, mulheres 32%) e maiores cuidados com a higiene e com os lugares frequentados (homens 7%, mulheres 27%). Entre os homens é significativa ainda a parcela que diminuiu ou deixou de ter relações sexuais com prostitutas (12%), enquanto que entre as mulheres o medo de qualquer relação sexual atinge 11%. Em dezembro de 1985, 6% dos jovens paulistanos e 17% dos homo e bissexuais afirmaram usar preservativos por causa da AIDS. Hoje, esses índices subiram para 27% e 49%, respectivamente. Consideram-se bem ou razoavelmente informadas sobre a AIDS 56% da população das oito capitais. Essa taxa eleva-se para 65% entre os jovens e as prostitutas paulistanas e chega a 88% entre os homens homo e bissexuais (FSP).