FAO DISCUTE FORMAS DE PRESERVAR BIODIVERSIDADE

Pelo décimo ano consecutivo, a Universidade George Washington, dos EUA, aproveitou a passagem do Dia Mundial da Alimentação, comemorado ontem, para discutir a ameaça que representa para a natureza o crescimento desordenado da população mundial. E o que resultou do debate, transmitido por satélite para todos os cantos do globo, foi uma advertência e uma questão, que continua no ar. A advertência, primeiro: é imperativo agir rapidamente para preservar a biodiversidade, a variedade de plantas e animais que ainda restam sobre a Terra, para não colocar em risco a sobrevivência das futuras gerações. E a questão é a seguinte: o que fazer para que os agricultores do Terceiro Mundo possam preservar a biodiversidade e sejam reconhecidos e premiados pela matéria-prima (sementes) que fornecem aos produtores da tecnologia genética. A conferência, sob o tema "Biodiversidade e Segurança Alimentar", lançado pela Organização de Alimentação e Agricultura (FAO), reuniu quatro nomes mundialmente conhecidos pelo trabalho que desenvolvem nos campos da biotecnologia e da preservação de métodos tradicionais de cultivo no Terceiro Mundo: o professor Jose Esquinas-Alcazar, da Comissão de Recursos Genéticos de Plantas da ONU; Geoffrey Hawtin, diretor-geral do Conselho Internacional de Recursos Genéticos de Plantas; Jeffrey Bennetzen, professor de engenharia genética da Universidade de Purdue, e Hope Shand, diretora de pesquisa da Fundação Internacional pelo Desenvolvimento Rural. Boa parte da discussão foi centrada na questão do mérito da agricultura sustentada. Em busca de lucros maiores, e por ignorar as consequências de tal gesto, agricultores em todos os cantos, e o Brasil foi citado nominalmente, como exemplo, estariam optando por sementes geneticamente alteradas, fortalecidas contra pragas e mudanças climáticas. "Esse é o caminho do desastre", advertiu a pesquisadora Hope Shand (O ESP).