O comércio, regional e internacional, e a miséria na América Latina são os dois focos de preocupação dos governantes do Grupo do Rio, conforme se verifica da "Declaração de Santiago", emitida ontem após cinco dias de reuniões, primeiro entre técnicos, depois entre chanceleres e, por fim, entre presidentes, em Santiago (Chile). Participaram do grupo Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, além de um representante da América Central (El Salvador, este ano) e do Caribe (a Jamaica). No que se refere à miséria, os mandatários preferiram evitar a habitual lamentação que impregna a retórica de reuniões entre países pobres. Um dos parágrafos do documento é "uma mensagem de otimismo e, sobretudo, de confiança em nossos povos, que sofreram muitos anos de privações e sacrifícios". Mas, em seguida, diz que os governantes estão "conscientes de que falta muito por fazer" e reconhecem "a necessidade de redobrar esforços" no sentido de combater a pobreza. Mais concretamente, o documento de Santiago endossa um texto elaborado preliminarmente por peritos dos países do Grupo, intitulado "Miséria, Desemprego e Marginalização". Ali, recupera-se a experiência brasileira com o programa de combate à fome, coordenado pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), e também o enfoque mexicano do programa "Solidariedade". Características de cada um: no caso brasileiro, trata-se de puxar a sociedade civil para o centro da ação, em reconhecimento implícito de que o Estado é impotente. No caso mexicano, há emprego maciço de verbas para ações pontuais contra a miséria. O texto dos peritos será encaminhado, como subsídio, à Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Social, convocada pelas Nações Unidas para 1995 na Dinamarca. No discurso de encerramento do 7o. Encontro de Presidentes da República do Grupo do Rio, o presidente Itamar Franco disse que a Inserção da América Latina na economia internacional poderá contribuir para a superação da atual crise da economia internacional". Em outro ponto do pronunciamento, o presidente brasileiro destacou a preocupação com a questão social no continente. Na questão comercial, a reunião de Santiago discutiu os esquemas regionais de cooperação comercial e também a situação mundial no setor. Um dos parágrafos faz "enérgico chamado à comunidade internacional e especialmente aos países industrializados para logar uma conclusão amplamente satisfatória da Rodada Uruguai, antes do fim do ano". O encontro de Santiago foi o melhor palco encontrado pela diplomacia brasileira para que o presidente Itamar Franco lançasse a sua proposta de criação de um espaço econômico sul-americano. É uma proposta para amadurecer em "oito ou dez anos", segundo Itamar, lembrando que o fluxo de recursos na América Latina aumentou em 50% entre 1991 e 1992 (FSP) (JB).