BRASIL É A BASE PARA OPERAR NO MERCOSUL

A política de abertura econômica adotada por diversos países na América Latina, aliado a um processo de integração regional através de acordos de comércio-- a exemplo do que fizeram Brasil e Argentina, cujo tratado bilateral deu origem ao MERCOSUL, que também reúne Paraguai e Uruguai--, está levando as multinacionais instaladas no Brasil a modificar sua estratégia para ampliar negócios na região. O modelo adotado durante o regime de economia fechada consistia, basicamente, em instalar uma fábrica no Brasil e dirigir a produção para atender ao mercado doméstico. O abastecimento dos vizinhos, em geral, era feito através de exportações operadas desde a matriz nos países que apresentavam potencial de demanda. No início desta década, porém, essa relação mudou. Os governo decidiram abrir seus mercados, facilitando as importações e a entrada do capital estrangeiro. Há, ainda, um terceiro fator que estimula a ida das multinacionais para outros países do continente: está barato comprar empresas latino-americanas, por preços até 50% inferiores ao valor patrimonial. "As multinacionais estão buscando colocar seus produtos nos países vizinhos na maneira que implique menor custo, disse o diretor- adjunto de comércio exterior do Banco Real, Benedito Carlos de Pádua, que ontem participou, em São Paulo (SP), do seminário "MERCOSUL: Desafios a Vencer". O investimento da Alcoa do Brasil, subsidiária de um dos maiores grupos produtores de alumínio do mundo, em meados do ano passado em Buenos Aires (Argentina) é citado por Pádua como exemplo. Em 1990 uma fábrica da Alcoa instalada em Osasco (SP) era a única fornecedora de tampas de rosca com selo inviolável para refrigerantes na América do Sul. O mercado brasileiro exigiu no primeiro ano de funcionamento a expansão de 50% da capacidade produtiva e de mais 60% no segundo ano. Vender aos países vizinhos era o segundo passo, mas o custo envolvendo a operação de exportação mostrava-se caro. A empresa optou por comprar duas empresas de pequeno porte na Argentina que fabricavam tampinhas de refrigerantes, mas estavam sem capital para ampliar e modernizar a produção. Com US$5 milhões em equipamentos e uma equipe de 50 funcionários argentinos treinados no Brasil, a Alcoa conseguiu consolidar sua presença na Argentina, de onde saem as tampinhas para o Paraguai e o Uruguai. Antes de ir para Buenos Aires, a Alcoa já havia se instalado no Chile nos mesmo moldes. A White Martins, de capital norte-americano e que domina o setor de gases industriais no Brasil, também entrou no mercado argentino, em meados do ano passado, comprando por US$13 milhões o controle acionário da Fracchia Hermanos SA. Neste ano, com mais US$9 milhões, a White Martins comprou os restantes 40%. A empresa agora quer entrar no Paraguai. A General Motors do Brasil também anunciou recentemente investimentos com recursos próprios no valor de US$100 milhões. O negócio envolve a criação de uma "joint venture" com a Compan~ia Interamericana de Automóbiles (ex-Renault), que aplicou US$20 milhões para ter 20% das ações da nova empresa. A produção de picapes na fábrica de 15 mil m2 terá início em 1994. Estamos no Brasil, mas estamos fazendo alianças aqui e em outros países.
76231 Recentemente adquirimos outra empresa na Venezuela, onde se pode comprar
76231 companhias por até metade do preço, disse, recentemente, o presidente da Glaxo do Brasil, Jorge Raimundo Filho. A Glaxo, com sede na Inglaterra, fatura por ano cerca de US$8 bilhões e é o segundo maior grupo do mundo no setor farmacêutico. Além da Venezuela, a Glaxo está operando fábricas na Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e Bolívia (GM).