ARGENTINA IMPÕE QUOTAS A PRODUTOS BRASILEIROS

O governo argentino impôs quotas à importação de geladeiras e freezers de uso doméstico fabricados no Brasil, numa nova medida de proteção aos setores industriais afetados pela concorrência do seu principal parceiro comercial. O Ministério da Economia atendeu, assim, a um pedido apresentado em março pela Câmara Argentina de Indústrias de Refrigeração e Ar Condicionado. As medidas de proteção, que se enquadram dentro das salvaguardas admitidas pela Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), foram extendidas também ao setor de isoladores elétricos. A decisão significa uma nova exceção no processo de redução tarifária que a Argentina e o Brasil vêm desenvolvendo, de acordo com os convênios bilaterais de complementação econômica e ao tratado que criou o MERCOSUL. Simultaneamente, o Ministério da Economia limitiu a 208 toneladas por ano a autorização para comprar isoladores elétricos no Brasil. O governo argentino já tinha feito este ano correções de rumo na abertura comercial estabelecida em 1991, impondo quotas as importações de papel e criando tarifas específicas (sobretaxas) sobre as compras no exterior de produtos têxteis. As novas medidas protecionistas em relação à concorrência dos produtos brasileiros coincidiram, paradoxalmente, com relatórios sobre a melhora dos termos da balança comercial da Argentina com o Brasil, seu maior parceiro no MERCOSUL. As exportações da Argentina para o Brasil cresceram 100% nos oito primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período de 1992 (JC).