REBELIÃO NA CASA DE DETENÇÃO DURA 10 HORAS

Depois de 10 horas de tensão, terminou ontem de manhã, com a libertação dos 28 reféns, a rebelião dos presos do Pavilhão 8 da Casa de Detenção, no Carandiru, em São Paulo (SP), ao lado do prédio onde, no dia dois de outubro do ano passado, as tropas de choque da Polícia Militar chacinaram 111 detentos. Traumatizados pelo massacre e temendo uma nova ação da PM, os detentos só libertaram os agentes penitenciários depois que um grupo de jornalistas chegou ao pátio para documentar as negociações finais, intermediadas desde o início pelo juiz Fernando Antônio Torres Garcia, da Corregedoria das Execuções Criminais. "Quando há disposição, a negociação sempre dá certo. O segredo é paciência. Havia 28 vidas em jogo", explicou o juiz. A revolta eclodiu por volta das 21h, durante uma revista em que os agentes apreenderam 200 litros de aguardente e vários estiletes. Seis presos foram levados para uma cela de castigo, no Pavilhão 6, e espancados pelos agentes, o que acabou determinando uma reação dos 1.314 detentos (JB).