CORRUPÇÃO NO ORÇAMENTO ENVOLVE PARLAMENTARES

O economista José Carlos Alves dos Santos, ex-diretor do Departamento de Orçamento da União (DOU) e assessor aposentado do Senado Federal, preso há duas semanas com US$1,4 milhão, sendo US$40 mil falso, denunciou ontem à Polícia Civil de Brasília (DF) um esquema de corrupção no Orçamento da União que envolveria pelo menos 50 políticos de expressão nacional. Segundo ele, pelo menos 11 parlamentares estão envolvidos na venda de emendas ao Orçamento da União em troca de dinheiro ou favores de interessados nos projetos. Os envolvidos são os senadores Mauro Benevides (PMDB-CE), Louremberg Nunes Rocha (PTB-MT) e Saldanha Derzi (PRN-MS) e os deputados Ricardo Fiúza (PFL-PE), Messias Góis (PFL-SE), José Geraldo Ribeiro (PMDB-MG), Flávio Derzi (PP-MS), Ubiratan Aguiar (PMDB-CE) e Cid Carvalho (PMDB-MA), Roberto Cardoso Alves (PTB-SP) e o ex-relator da Comissão de Orçamento, João Alves (PMDB-BA). Na lista que será entregue à Justiça contam ainda nomes de ministros, governadores e prefeitos. José Carlos responderá a inquérito por corrupção, tráfico de drogas e é acusado de ter matado a mulher, Elizabeth Lofrano dos Santos-- em 19 de novembro de 1992--, que teria sido jogada de um avião. Suspeita-se que seja dela um corpo achado num caixão metálico em Alagoas. A polícia também encontrou indícios de cocaína num avião de sua propriedade. O presidente do Senado Federal na época (1991), senador Mauro Benevides, também não foi poupado na lista do ex-diretor do DOU. Foi por indicação do senador que José Carlos assumiu a chefia do então Departamento de Orçamento da União. Ao ser obrigado a deixar o cargo pelo ex-secretário Pedro Parente, que havia recebido denúncias sobre a atuação irregular do economista na administração do dinheiro público, o técnico foi novamente convidado por Benevides para assumir a chefia da assessoria da Mesa do Senado. A iniciativa do amigo senador, porém, não prosperou porque José Carlos foi, em seguida, apontado como suspeito de envolvimento no desaparecimento de sua mulher. A contratação só foi revertida em decorrência da atuação de alguns parlamentares, entre eles o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que podenrou com Benevides sobre a inconveniência da presença do economista no Senado, diante das acusações de fraudar o orçamento para incluir emendas e das suspeitas policiais. Ontem, o deputado Roberto Magalhães (PFL-PE) sugeriu a extinção da Comissão de Orçamento e o deputado Chico Vigilante (PT-DF) a quebra do sigilo bancário de todos os integrantes da Comissão Mista de Orçamento nos últimos sete anos. O presidente do Congresso Nacional, senador Humberto Lucena (PMDB-PB), divulgou nota garantindo que o Legislativo quer a averiguação de todas as denúncias (O Globo) (JB).