O presidente Itamar Franco rebateu ontem, durante a reunião de abertura dos trabalhos da 7a. Reunião do Grupo do Rio, em Santiago (Chile), a proposta do presidente da Colômbia, Cesar Gavíria, de que os países participantes da conferência enviassem ao Congresso norte-americano pedido de aprovação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, que reúne México, EUA e Canadá). "O Brasil não tem nada contra o NAFTA", ponderou Itamar. "Apenas não aceito que o Grupo do Rio faça ingerência sobre questões internas de nenhum país", acrescentou. "O Brasil não aceita a intromissão, por considerá-la despropositada e descabida", disse o presidente, segundo relato do porta-voz Francisco Baker. A Argentina também não concordou com a idéia. O presidente colombiano disse que recebeu telefonema do presidente dos EUA, Bill Clinton, para que o Grupo do Rio aprovasse o pedido de criação do NAFTA pelo Congresso. No discurso de ontem, o presidente brasileiro apresentou a proposta de criação de uma zona de livre comércio (ZLC) na América do Sul, que se concretizaria nos próximos 10 anos. De acordo com Itamar Franco, "esse espaço econômico resultaria da articulação entre os processos em curso do MERCOSUL, da Iniciativa Amazônica e do Grupo Andino". Ressaltou, ainda, que o grupo necessitaria, igualmente, da participação fundamental do Chile. Itamar explicou que "a zona de livre comércio estimularia a aproximação das experiências integracionistas na América do Sul com o NAFTA, com a Comunidade do Caribe e com o Mercado Comum Centro-Americano". Os presidentes, na primeira reunião de trabalho, colocaram ênfase diferentes em relação aos assuntos de integração regional e econômicos. O chanceler Guido Di Tella, da Argentina, que representou o presidente Carlos Menem, ausente por motivo de saúde, falou da importância da integração intra-regional, enquanto o presidente uruguaio, Luis Alberto Lacalle, salientou a importância da conclusão da Rodada Uruguai do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), em dezembro. Sobre essas negociações, a declaração é enfática e faz um "enérgico chamado à cooperação internacional e especialmente aos países industrializados para alcançar uma conclusão amplamente satisfatória da Rodada antes do fim do ano, respeitando plenamente a multilateralidade do processo". Para a próxima reunião do Grupo do Rio, que será no Brasil, o presidente brasileiro sugeriu como tema principal Ciência e Tecnologia, especialmente no que se refere ao acesso às tecnologias avançadas (JC) (GM).