METADE DA AMÉRICA LATINA NA MISÉRIA

Quase a metade-- cerca de 195,5 milhões-- da população da América Latina vive na pobreza, com renda inferior a US$60 mensais, enquanto outros 93,5 milhões sobrevivem na mais absoluta indigência, com apenas US$30 por mês. "Um em cada cinco latino-americanos não tem recursos monetários suficientes para consumir uma dieta adequada do ponto de vista nutricional", informa o documento "Panorama Social da América Latina - 1993" da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), divulgado ontem em Santiago, no Chile. O país mais miserável do hemisfério é Honduras, com 93% de sua população na condição de pobre ou indigente. No pólo oposto, o Uruguai, com apenas 12%. O Brasil, com seus 32 milhões de miseráveis, fica no escalão intermediário. Nos anos 80-- a "década perdida"-- os pobres e miseráveis latino- americanos aumentaram 46%, mais 60 milhões de pessoas (o equivalente a duas Argentinas), das quais uma em cada seis passou a morar nos centros urbanos. Apesar do desenvolvimento econômico obtido por países como Colômbia, Chile, Costa Rica, México e Uruguai na década passada, a pobreza e a miséria continuaram crescendo, impulsionadas principalmente pela deterioração econômica na Argentina, Brasil e Venezuela, constatou a CEPAL. Para superar esta situação, a CEPAL sugeriu vários caminhos, com destaque para a expansão do emprego e a recuperação dos salários, pois a recessão e os ajustes afetaram tanto os menos favorecidos quanto a classe média (JB).